quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
A filha de Judy e Vincente
Ontem assisti a um show memorável. A artista é um mito aqui nos EUA e é filha de Judy Garland e Vincente Minnelli. Claro que estou falando de Liza Minnelli. Depois de muitos anos fora do palco e sem grandes contribuições para o mundo artístico, ela se apresentou no famoso Palace Theatre, onde sua mãe se apresentou diversas vezes. O teatro antigo e rebuscado fica no miolo dos outros teatros da Broadway. Foi meio que um tributo a Judy, inclusive cantando algumas músicas dela. Não poderia esquecer "New York, New York". Para falar a verdade, senti-me um pouco deslocado no show. Primeiro porque não conheço as músicas, exceto a citada acima. Segundo porque nem gosto dela. Só fui mesmo porque tinha o convite. Grátis é irrecusável, né? Aliás, foi a pré-estréia. Só para os VIPs. Bom, o público era majoritariamente de pessoas bem mais velhas que eu. As mulheres bem plastificadas (os cirurgiões plásticos iriam adorar). Uma senhora sentada do meu lado tinha a pele tão esticada que tinha a aparência meio assustadora. Uma mistura de Elza Soares com ET. E a boca dela? Carnudíssima. Iracema dos lábios de mel perdia! Uma outra, lá na frente, também esticadíssima, parecia Maria Callas. O cabelo branco (dos homens) e o tinturado (das mulheres) imperava, claro. Os modelitos do século passado, óbvio. O brilho das roupas me deixou tonto. Havia gente jovem, claro, mas em minoria. Agora falando do show propriamente dito. A banda, como era de se esperar, também era composta de gente bem mais velha. Dos 12 músicos, todos homens, 10 tinham mais que 60 anos. Apenas 2 deles tinham uns 45/50 anos. Nada contra os mais velhos, claro. Até porque estou chegando lá também. Estou apenas mostrando a vocês o clima "moderno" do espetáculo. Continuando... Liza cantou bastante. O show foi dividido em 3 partes, o que significa que ela teve 3 trajes diferentes. À propósito, o segundo deles era um vestidinho preto curtíssimo (cheio de brilho, claro) com uma bota cano alto preta. Parecia uma adolescente. Mas tudo bem! Ela cantou muito, quase sem parar, por 2 horas e meia (exceto pelos 2 intervalos de uns 10 minutos). Sinceramente, não gosto daquele tipo de música. Tem muito sapateado e um blá-blá-blá danado. Tem momentos que ela meio que fala, ou recita, ao invés de cantar. Dramaticíssima. Mas como falei, não conhecias as músicas, nem sou crítico, portanto, não posso avaliá-las. As pessoas vibravam muito no fim das canções. Muitas delas, inclusive, levantavam ao aplaudi-la. O público parecia extasiado. Uma emoção atrás da outra. Sei que quando cantou "NY, NY" e outras duas famosas que a mãe dela cantou há muito tempo, o público delirou ainda mais. Na última parte, um grupo de 4 dançarinos se apresentou com ela. Ela estava meio agitada. Não falava normalmente. As mãos pareciam trêmulas. Não sei se ela é assim mesmo ou se estava sob efeito de algum medicamento. Vai ver que é a idade mesmo (ela tem 62 anos). Ainda assim, ela tinha muita energia e disposição. Incrível! Bom, no fim das contas achei um show, digamos, interessante. Mas só porque ela é um ícone da música americana. Imperdível? Claro que não. Mas, como disse acima, memorável.
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