domingo, 18 de maio de 2008
Não vá de taxi. Vá de metrô!
A rede de metrô de NYC é ótima, como devem saber. Dá pena comparar com São Paulo e Rio. É muito eficiente mesmo. Em todas as estações, há trem circulando 24 horas por dia, os 7 dias da semana e eles vão a quase todos os lugares da cidade, seja ao Bronx, Manhattan, Brooklyn ou Queens (onde moro). Staten Island (uma ilha) tem um trem próprio, da mesma administração do metrô. Mas ainda tem gente que reclama, que diz que os trens não vão a todos os lugares da cidade. Com uma certa dose de exagero, posso até concordar. De qualquer forma, há muitas linhas: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, A, B, C, D, E, F, G, J, L, M, N, Q, R, S, V, W, Z. Para se ter uma idéia, onde moro posso pegar as linhas R, V, N e W. Ou ainda a linha E, depois da meia-noite, porque de madrugada alguns trens não correm. Algumas mudanças ocorrem também quando as linhas estão em obras (ampliação, manutenção, etc.), o que é muito comum. Portanto, andando tarde da noite por NYC ou nos finais de semana, tenham muito mais atenção ao trem que vão pegar. Entretanto, o metrô tem um grave defeito: a sujeira. Quase todas as estações são feias, velhas, sujas, mal cuidadas. Uma parte da estação de Times Square, que é a mais movimentada, acho eu, é terrível: a pintura do teto é cheia de umidade, caindo aos pedaços, as paredes descascam, etc. Só vendo! A explicação que ouvi é que o metrô daqui é muito antigo, daí a má conservação. Que é antigo, isso se sabe, mas uma cidade tão poderosa e rica deveria ter um metrô com melhor aparência, até porque NYC é uma cidade que vive da estética, para o bem e para o mal. Se alguém me perguntasse qual estação de NYC é mais bonita, responderia: nenhuma. Umas ou outras são mais simpáticas, menos feias ou menos sujas, mas no geral, lembram estações rodoviárias do Terceiro Mundo. Aliás, o metrô é uma miscelânia de riqueza e pobreza, de tudo. Apesar de Barry, amigo meu, já ter me dito, acreditem se quiser, que um amigo rico dele NUNCA andou de metrô em NYC, é, de qualquer forma, um sistema de transporte que todos usam, do executivo engravatado da Bolsa de Valores ao imigrante mexicano pobrezinho que limpa o chão dos restaurantes. Aliás, andar de metrô aqui em NYC é uma forma muito interessante de conhecer as culturas do mundo. Como já comentei, encontro de tudo no metrô de NYC. Todo santo dia, nele pode-se ver latinos às pencas, e também chineses, coreanos, filipinos, tailandeses, indianos e paquistaneses, judeus (de roupa toda preta, com quipá na cabeça e cachinhos), africanos em geral, poloneses, russos, franceses, italianos, gregos, árabes, etc. Ou seja, gente do mundo todo. Virginiano curioso que sou, gosto de ficar olhando os jornais e livros que o povo fica lendo, justamente pra decifrar quais línguas eles falam, ou pelo menos, de qual região eles são. No metrô, pode-se fazer quase tudo. As pessoas frequentemente almoçam, jantam, carregam suas bicicletas, lêem (bastante!), puxam suas malas vindo dos aeroportos, etc. E dormem! Frisei dormir porque é impressionante a quantidade de homeless (sem-teto) que fazem do metrô a sua moradia, em especial no inverno. Andar de metrô é também muito barato. Compro o Metrocard de 30 dias, com viagens ILIMITADAS e custa apenas U$ 81. O semanal custa U$ 25. Estava lendo na Folha de SP que andar de metrô e ônibus no Brasil sai muito mais caro, além de ineficiente. É incrível! Um povo pobre como o nosso ainda tem que pagar mais pra se locomover. Um absurdo! O metrô de NYC já foi perigoso nas décadas de 70 e 80. Mas é muito seguro hoje em dia. Com o cartão do metrô, pode-se tomar ônibus também, que, apesar de não ter muitas linhas e não ser tão rápido, é muito mais tranquilo, mais limpo e mais seguro do que no Brasil. Pra resumir, ninguém precisa pegar taxi em NYC (a não ser pra ir ou vir do aeroporto, cheio de malas). Apesar de feio, é fácil, rápido, eficiente e barato.
As cobras estão soltas
Outra cena interessante que presenciei aqui em NYC (em Chelsea) foi um homem que andava com uma cobra enorme enrolada no pescoço, como se fosse um animal de estimação. A calçada estava cheia de gente e ele falava ao celular, acariciando a danada da cobra, tranquilamente. Claro que as pessoas olhavam muito, meio assustadas, meio impressionadas. Eu mesmo fiquei bobo e com certo receio. Tem gente louca nesse mundo mesmo!
As beatas de Dores perdem!
Latinos, em geral, são um povo religioso. Pois é, mas não precisa exagerar. Um dia desses entrei no metrô e sentei bem de frente a uma senhora de aparência visivelmente latina. Ela simplesmente estava rezando o terço. Mexia o terço e a boca sem parar. De vez em quando, ela olhava pro lado, mas continuava a reza. Chegamos numa estação, o trem ficou cheio, mas ela não parou de rezar, mantendo a "concentração". Foi engraçado. Imagino o que passava na cabeça dela. Será que estava mesmo rezando com todo aquele movimento ao redor? As beatas de Dores perdem...
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