sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Thanksgiving em NYC

Hoje foi comemorado o Thanksgiving (dia de Ação de Graças) aqui nos EUA. Sempre acontece na última quinta-feira de novembro. Apesar de muitas pessoas rezarem e agradecerem pelas conquistas alcançadas, este não é um feriado religioso. Como aqui, principalmente em NYC, tem muito judeu, leia-se não-cristão, imagino que esse dia de Thanksgiving seja ainda mais popular que o Natal. Claro que nem todos os estabelecimentos comerciais fecham, mas a cidade meio que pára, quer dizer, reduz seu ritmo drasticamente. Acho que apenas uns 20% da cidade funciona. É quase como se fosse um dia de carnaval aí no Brasil. Eu disse "QUASE", pois o Brasil realmente pára nesse feriado (que eu amo, diga-se de passagem; em Salvador, claro). Em outro post vou falar especificamente disso, mas quero antecipar e dizer que acho o povo americano muito tradicional. Apesar da liberdade, democracia e de algumas "revoluções" sociais que aqui ocorreram (sexual, racial), as tradições são importantes e muito preservadas por essas bandas. E uma delas é o Thanksgiving. A começar pelo horário. Sempre, sempre à tarde, acreditam? Os familiares e amigos se reúnem e "jantam" lá pelas 4h, 5h da tarde. Motivo? Ouvi dizer que é apenas uma tradição (estão vendo?), que junta o almoço e o jantar, pois assim todos têm mais tempo pra ficar comendo e jogando conversa fora. Bom, o cardápio é o mesmo. E não tão saboroso. A estrela principal é o peru, servido com molho de cranberry. Mais stuffing (uma mistura de cubos de pão, ou crouton, com linguiça, cebola e outros temperos), sopa de abóbora, um purê (ou sei lá o quê) de batata-doce, salada de vagem (vixe!), torta de abóbora (como sobremesa) e otras cositas más. É sempre assim. Esta é a terceira vez que passo o Thanksgiving aqui nos EUA, portanto posso falar com um pouco mais de propriedade. All right? Ah! Ainda tem a tradicional Parada da Macy's, que o povo vibra, principalmente as crianças, por causa dos balões gigantes. A parada começa às 9h da manhã no Central Park West, segue a Broadway, até chegar na 34th Street (quartel-general da Macy's aqui em NYC). Acaba lá pela 1h-2h da tarde. Esse ano eu vi um pouco dela e foi uma "grande emoção". Imperdível. Hahahaha.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Domingo no parque

O título acima se refere a uma música de Gil, que adoro. E o parque é o Central Park (vou chamá-lo de CP para facilitar). Estar tão próximo de um parque tão bonito quanto o CP e não usufruí-lo adequadamente é dose. Por isso, tomei a decisão de me exercitar um pouco. Comecei pelas caminhadas. Mas vejam só: de manhã cedo. E o pior, num frio de ZERO grau a 2 graus NEGATIVOS. Freezing! Sim, está sendo um outono muito frio. Vou bem agasalhado e mesmo assim, congelando um pouco. Mas vou! Imaginem um nordestino andando de manhã cedo no parque em pleno outono novaiorquino! Olha que mudança de estilo de vida. Ah! Não vou só no domingo não, como o nome da música sugere. Acreditem se quiser...

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Eleições 2008

Finalmente as eleições 2008 para presidência dos EUA acabaram. Falo 'finalmente' porque, apesar de adorar política, a campanha foi bem longa e cansativa. Na realidade, a campanha aqui demora mais porque há mais debate de idéias entre os candidatos, inclusive quando da escolha dentro do próprio partido, coisa que não acontece no Brasil. Mas eu já estava enjoado de tanto ouvir falar de Obama/Biden e McCain/Palin. E também acho que os dois partidos (Democrata e Republicano) são bem parecidos, o que acaba não dando tanta emoção. Seria bem interessante ter mais partidos na disputa, tal qual no Brasil, que é uma geléia geral. Hehehe. De qualquer forma, o final foi bem legal com a consagração de Barack Obama, o primeiro afro-americano eleito presidente, como todos já sabem. Considerando que o país, principalmente o sul e o meio-oeste, é extremamente racista (a Ku Klux Klan ainda existe e atua por aqui, acreditem se quiser), foi uma vitória espetacular. Obama é um grande orador, jovem, progressista e ainda por cima é um cara internacional: filho de mãe americana branca (de Kansas) e pai muçulmano, negro, africano (do Kenya), ele nasceu e morou por um bom tempo no Havaí, e também em Los Angeles, New York, Indonésia e Chicago (por onde foi eleito senador). Quando os canais de televisão anunciaram que ele já havia alcançado os votos necessários do colégio eleitoral (como é sabido, aqui a eleição é indireta) foi uma gritaria geral nas ruas. E, apesar de eu não ser americano, acabei me emocionando um pouco. Claro que não foi a mesma sensação quando meu querido presidente LULA foi eleito na primeira vez (isso mesmo, foi maravilhoso pra mim; não venham me questionar), mas foi tocante com Obama também. A distribuição dos votos foi bem irregular. Lugares liberais, progressistas ou com uma grande população negra, Obama teve muito mais votos. Ele venceu em estados importantes como New York, Califórnia, New Jersey, Massachusetts, Pennsylvania, Connecticut e muito mais. Só pra ter uma idéia, em Manhattan, Obama teve 84% dos votos. No Bronx, 88%. Brooklyn, 78%. San Francisco, 82%. Los Angeles, acima de 70% (não lembro exatamente). New Orleans, 80% (mas no resto do estado da Louisiana deu McCain). Washington DC, a capital, vejam só: 94%. Já em estados como Oklahoma (sul), McCain deu uma surra e ganhou em todos os "counties" (no Brasil, seria algo equivalente a município). No cafona estado do Texas, terra de Bush, ele levou quase todos os counties também (exceção de grandes cidades como Houston e Dallas, assim mesmo com margens pequenas). No conservador estado de Utah, onde fica o quartel-general dos mórmons, só deu McCain. E por aí vai. Mas nesta eleição, Obama conseguiu vencer em estados que o Partido Democrata perdeu na anterior. Bom, a sensação aqui é que vai ter uma mudança grande: "Change and Hope". Principalmente mudança na economia, que aflige o mundo inteiro, mas também no caro e privatizado sistema de saúde americano, nas relações com os outros países, em tempos de guerra ou paz, etc. As pessoas estão esperando muito dele. Eu, particularmente, não acho que vai mudar tanto assim, mas será simbólico ver uma família negra entrando pela porta da frente na Casa Branca. Vamos torcer para que dê tudo certo!